MATO GROSSO

Usinas de etanol fazem do milho um dos protagonistas do Estado na produção de grãos

Agroindustrialização: Mato Grosso se tornou o principal produtor do país, resultado de grandes investimentos em novas plantas de etanol

Publicados

em

Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

Ter se tornado o principal produtor de etanol de milho do país, foi preponderante para o aumento exponencial da safra de milho mato-grossense. A análise é do secretário César Miranda, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

Segundo ele, antes do processo de industrialização, o grão era utilizado basicamente na fabricação de ração animal e consumo humano.

“Com esta verticalização, o produtor começou a apostar novamente no milho, elevando-o, ao lado da soja, à condição de protagonista na produção estadual de grãos”, disse.

Conforme dados do Observatório de Desenvolvimento da Sedec, Mato Grosso conta com 12 plantas de etanol, das quais a metade utiliza o milho como matéria-prima, além de outras plantas de biocombustíveis, em que a soja é um dos componentes.

“É importante frisar”, diz César Miranda, “que o etanol de milho é resultado de uma produção limpa, onde tudo é aproveitado. Após o etanol, os resíduos se transformam em DDG, proteína para ração animal”.

Evolução

De um total de 73,75 milhões de toneladas estimado para a atual safra mato-grossense de grãos pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), soja e milho respondem por 94,45%, com, respectivamente, 35, 43 milhões e 34,23 milhões de toneladas. 

Este protagonismo vem se mantendo há quatro anos, desde a safra 2016/17, com a diferença na produção de ambos os grãos não ultrapassando 3%, exceto em 2017/18, quando quase se aproximou dos 10%. Naquela safra, a soja respondeu por 52,34%, enquanto o milho, por 42,79%.

Há duas décadas, porém, o peso da soja na produção mato-grossense de grãos era muito superior. Na safra de 2000/01, a leguminosa respondeu por 69,75% (9,64 milhões de toneladas) das 13,82 milhões de toneladas produzidas em Mato Grosso.

O milho, embora já tivesse elevado Lucas do Rio Verde à condição de maior município produtor nacional da 2ª safra naquela época, ainda respondia por apenas 13,31% (1,84 milhão de toneladas), percentual pouco superior ao do arroz (9,12% ou 1,26 milhão de toneladas).

Desde então, com algumas exceções, a diferença de produção entre ambas as culturas vem caindo paulatinamente safra a safra. Enquanto a soja cresceu 135,36% entre as safras 2010/11 (20,41 milhões de toneladas) e 2019/20 (48,04 milhões de toneladas), o milho cresceu 349,8%, saltando de 7,61 milhões para 34,23 milhões de toneladas.

A redução da diferença de produção entre soja e milho fica ainda mais visível se a comparação retroagir mais uma década. Isto é, entre as safras 2000/01 e 2019/20. Enquanto o crescimento da (produção de) soja foi de 247,61%, o de milho foi de 1.760%.

Participação da soja e do milho no agronegócio mato-grossense (em milhões de toneladas)

Safra Grãos total   Soja % Milho %
2000/01 13,82 9,64 69,75 1,84 13,31
10/11 30,94 20,41 65,97 7,61 24,60
11/12 40,35 21,84 54,13 15,61 38,69
12/13 45,90 23,53 51,26 19,89 43,33
13/14 47,70 26,44 55,43 18,04 37,82
14/15 51,71 28,01 54,17 20,76 40,15
15/16 43,42 26.03 59,95 15,27 35,16
16/17 61,98 30,51 49,23 28,86 46,56
17/18 61,71 32,30 52,34 26,4 42,79
18/19 67,49 32,45 48,08 31,30 46,38
19/20* 73,75 35,43 48,04 34,23 46,41

                                                                                                                                                                                        (*)10º Levantamento da Conab Fonte: Conab

Fonte: Secom-MT

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Black Friday Show Gazin Pontes e Lacerda
Propaganda

CIDADES

Preço do pacote de arroz em MT pode chegar a R$ 30,00 nos próximos dias

Publicados

em

O consumidor que for às compras nos próximos dias poderá se assustar com o preço do arroz nos supermercados de Mato Grosso. O pacote de 5 quilos (kg) já está sendo comercializado por R$ 20 a unidade em alguns estabelecimentos e a previsão é que esse valor possa chegar à casa dos R$ 30 até dezembro. Na outra ponta, o encarecimento do produto tem beneficiado os produtores, com aumento da margem de lucro.

A crise sanitária deste ano desequilibrou a cadeia do arroz no país. As mudanças repentinas do cenário econômico e social fizeram com que o mercado não conseguisse suprir o aumento da demanda pelo produto. Com as famílias ficando mais tempo em casa, cresceu o consumo interno de arroz no Brasil e também em outros países. Isso fez com que o preço do pacote de 5 kg saísse dos habituais R$ 13 a R$ 14 para chegar a R$ 20, ou mais.

E há razões para que o arroz possa alcançar o patamar de R$ 30 pelo pacote de 5 kg. A lista é grande: além do maior consumo, há influências da alta do dólar, entressafra do grão, redução da produção nacional e crescimento das exportações.

“O preço do arroz no segundo semestre é mais caro mesmo, por causa da entressafra. Porém, a pandemia de covid-19 mexeu muito com o consumo, que aumentou. Isso no mesmo ano em que houve um enxugamento da safra. Estamos também com o dólar em alta, que provoca dois efeitos: primeiro, é que ele barra a entrada do arroz importado e outro é que ele, como regulador de preço do principal mercado do país, Santa Catarina, perde o efeito dessa função”, explica Rodrigo dos Santos Mendonça, Sindicato da Indústria do Arroz em Mato Grosso (Sindarroz-MT).

A agitação do mercado fez com que a saca de 60 kg de arroz iniciasse esta semana custando R$ 125 na praça de Várzea Grande, e R$ 170 na de Santa Catarina. Apesar do melhor preço pago ao produtor, os aumentos que os agricultores estão enfrentando nos insumos desde abril ainda não foram totalmente repassados ao consumidor.

Enquanto a entrada do arroz importado ficou salgada para as indústrias, a saída do arroz nacional aumentou. O volume de exportações do grão até o mês de agosto ficou acima da média e chegou a 1,5 milhão de tonelada (t), segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa quantia é praticamente a mesma que é comercializada ao longo de um ano pelo Brasil, em períodos normais.

“Estamos nos estoques finais e trabalhamos com média para ainda não repassarmos toda essa alta. Hoje, se fôssemos repassar, o pacote de 5 kg poderia chegar a R$ 30”, estima Rodrigo.

Para dar conta de tanta procura, alguns produtores já estão pensando em antecipar a semeadura do arroz. “Tem produtor querendo plantar mais cedo para que até o final de dezembro tenha produto disponível, ao invés de só em janeiro ou fevereiro”, reforça Rodrigo.

A partir do ano que vem, a previsão é que os preços do arroz se estabilizem. “O preço hoje chegou a um recorde, o dobro do que pagávamos, que era uns R$ 60 a saca. Vejo que temos um problema temporário hoje, mas o cenário geral para o ano que vem é positivo. Teremos mais produção interna e não precisaremos trazer arroz de outros estados, como o Rio Grande do Sul”, estima o presidente do Sindarroz.

Expectativa para a safra

Conforme dados da Conab, Mato Grosso terá uma produção de 402 mil toneladas (t) de arroz na safra 2019/20, 3,8% a mais do que os 387 mil (t) a safra passada. Já a produção nacional é estimada em 11,2 milhões (t), representando aumento de 6,6% em relação à safra passada.

“Mais especificamente sobre o incremento esperado de consumo, com o prolongamento da crise do Covid-19 (sic) e o isolamento social de parte da população, identifica-se um aumento na alimentação em domicílio, o que seguramente refletirá em aumento de consumo de arroz”, justifica a Conab em seu último boletim de grãos, de agosto.

FONTE: Estadão MT

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Black Friday Show Gazin Pontes e Lacerda
Continue lendo

CIDADES

MATO GROSSO

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA